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Entrevista

Dra.

Luciana D.

Oliveira

Méd. Veterinária, MsC, PhD
Consultora Técnica Senior

Depto de Comunicação Científica
ROYAL CANIN DO BRASIL
entrevista  - nov/2009

   
     
Luciana D. de Oliveira

Dra. Luciana Domingues de Oliveira é médica veterinária e tem mestrado e doutorado na área de nutrição de cães e gatos. Atua na Royal Canin do Brasil há quase dois anos.


O nutrição.Vet acredita que os médicos veternários durante sua formação não têm tanto contato com o ambiente corporativo como têm com áreas mais tradicionais como clínicas veterinárias, laboratórios de diagnóstico e instituições que atuam com medicina preventiva. Para mostrar um pouco deste universo ao internauta do nutrição.Vet , entrevistamos Dra. Luciana durante o III Simpósio de Nutrição Clínica de Cães e Gatos. Confira a seguir.


parte 1: Importância da pós-graduação.
parte 2: Atividades que exerce na empresa.
parte 3: Atividades que exerce na empresa (continuação).
parte 4: Como começar a trabalhar na empresa?.
parte 5: No que as empresas são diferentes da Universidade?
parte 6: A que eventos você vai para se atualizar?
parte 7: Melhor fazer pós-graduação no exterior?
parte 8: O Brasil tem nível internacional em nutrição pet ?

 
     

     

nutrição.Vet: O que é importante na formação do profissional para exercer função como a sua?

 

 

 

Dra. Luciana:

 

Quanto à formação, não basta só fazer uma boa universidade de Medicina Veterinária... ter conhecimentos de clínica é fundamental, principalmente se a pessoa pretende trabalhar em uma empresa que trabalha com alimentos da linha veterinária, nutrição clínica. Se for só alimentação para animais saudáveis, em crescimento, manutenção... enfim..., talvez não tenha tanta necessidade, mas a gente percebe que ter conhecimentos sólidos em clínica, em veterinária, associado a isso ter conhecimento em nutrição, é fundamental, para você exercer o papel de divulgar informação, criar conceitos, passar informação sobre nutrição para as pessoas. É fundamental.

 

No caso do Brasil como a maioria das faculdades não pussui a disciplina de Nutrição, o o mestrado e o doutorado são de grande valia. Mesmo que você assista cursos, palestras, a carga horária é muito pequena. Então só uma dedicação exclusiva permite um conhecimento mais amplo e mais aprofundado.

E o que eu percebo até hoje é que temos muitas empresas de pet food não só no Brasil, mas no mundo, mas existem muito poucos veterinários especialistas em nutrição. E que a gente vê muitas pessoas que não têm tanto conhecimento, trabalhando nesta área, então eu acho que faltam pessoas com conhecimentos mais aprofundados. Dá para perceber a tendência pela busca cada vez maior por profissionais qualificados nessa área pelas empresas.


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"... o que eu percebo até hoje é que temos muitas empresas de pet food (...), mas existem muito poucos veterinários especialistas em nutrição.”

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nutrição.Vet: Quais suas atribuições na empresa? Que atividades você realiza?

 

Dra. Luciana:

 

A Royal Canin é uma empresa que trabalha bastante com pesquisa e Muita pesquisa é gerada no mundo todo. Isso gera uma série de publicações e informativos que são feitos normalmente em francês e em inglês. Nós do departamento científico temos que traduzir, para poder divulgar aqui no Brasil, selecionar as informações que a gente acha que são de interesse. Além das publicações técnicas, ministramos palestras, criamos materiais, enfim, várias formas de divulgação das informações. Isso é uma parte importante [das funções exercidas].

 

 

 

Outra parte importante é a gente começar a desenvolver, não só trazer de fora, mas fazer com que as pessoas aqui tenham conhecimento desses alimentos.

 

Os nossos alimentos foram todos testados, mas nós gostamos que os profissionais usem e vejam os resultados. Porque isso dá maior segurança para eles continuarem usando e indicando nossos produtos.

 

Dentro das minhas atribuições eu também seleciono estes profissionais e oriento sobre os tipos de pesquisa que podem ser feitas para constatar os benefícios das dietas dependendo das doenças. Nós selecionamos entre veterinários clínicos, professores universitários, pós-graduandos, ou profissionais de clínicas, que tenham interesse em pesquisa e em observar com maior critério a aplicação de um alimento junto com tratamento de alguma doença.


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nutrição.Vet: Quais suas atribuições na empresa? Que atividades você realiza? (continuação)

 

 


Dra. Luciana:

 

Nós temos 40 distribuidores exclusivos da nossa marca no Brasil e cada um possui sua equipe, incluindo veterinários.

 

Então uma das nossas funções também é dar suporte técnico a estas pessoas. A equipe do departamento científico fornece subsídios para que todas as equipes estejam aptas a transmitir, multiplicar a informação e estar em lugares em que a gente não pode estar o tempo todo.

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"... a equipe
do departamento científico fornece subsídios para que todas as equipes estejam aptas a transmitir, a multiplicar a informação.”

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nutrição.Vet: Que caminhos um profissional pode trilhar para ingressar na empresa?

 

 

Dra. Luciana:

 

Boa parte das pessoas que hoje trabalham na Royal Canin começaram como veterinários de distribuidoras. Normalmente isto permite um maior conhecimento sobre a empresa e as pessoas que se destacam têm maior chance de, quando surgir uma vaga interna, ocuparem este cargo interno. Apesar disso, na impede que a pessoa seja contratada por alguma atividade que exerça em outra empresa ou de uma Universidade. Eu sou um exemplo disso, não trabalhei em distribuidora, fui contratada direto da pós-graduação para o departamento técnico pelos meus conhecimentos na área.

 

 

nutrição.VET: Você convive com outros veterinários na empresa, qual a atuação deles? Há veterinários trabalhando no setor de produção da ração ?

 

Há diversos veterinários na Royal Canin, tanto na França quanto nos outros países, como o Brasil. Normalmente o trabalho dos veterinários é focado no desenvolvimento e avaliação de alimentos e ingredientes, e na transmissão das informações técnicas à

comunidade veterinária.

 

No Brasil, além do veterinário responsável técnico pela fábrica, temos veterinários em departamentos como Marketing, Comercial e Técnico.

 

Como a Royal Canin é uma empresa que trabalha muito com conceitos, é necessário um grande apoio de veterinários, em diferentes etapas do processo produtivo e administrativo, para que a comunidade veterinária e os clientes consigam compreender toda a ciência que existe por trás de cada alimento, entender os diferenciais.


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"... além do veterinário responsável técnico pela fábrica, temos veterinários em departamentos como Marketing, Comercial e Técnico.”

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nutrição.Vet: O que você encontrou de particular no ambiente corporativo, que você não conhecia, que destacaria para quem não é deste meio ?

 

Dra. Luciana:

 

Para você trabalhar em uma empresa, independente da área na qual a empresa atua, acho que o profissional precisa saber um pouco mais, ter um pouca mais do que o conhecimento técnico específico da área.

 

Em uma empresa de nutrição, se você quer trabalhar em um departamento técnico, você tem de ter conhecimento de nutrição, mas só isso não basta. Você tem que saber que é uma empresa, a empresa depende de vendas e de resultados.

 

É preciso observar se as informações que você está gerando e levando ao mercado estão produzindo efeito, produzindo vendas. Se as pessoas não entendem, a sua informação não funciona. A informação que o nutricionista produz precisa ser compreendida para poder ser convertida em resultados. Porque se não for, o trabalho fica comprometido.

 

 

 

Profissionais que queiram se dedicar exclusivamente à pesquisa, sem se preocupar com resultado, devem considerar o trabalho em centros de pesquisa.

 

Outro Ponto fundamental dentro do ambiente corporativo é entender que existe uma Equipe... todos os departamentos se interligam...e que seu trabalho não é isolado, portanto a relação interpessoal é ponto importante para o desenvolvimento e conclusão dos seus objetivos.


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nutrição.Vet: A que eventos você vai para se manter atualizada?

 

 

 

Dra. Luciana:

 

Olha, aqui no Brasil temos alguns eventos que eu acho bem importantes.


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"... além destes congressos de nutrição em si, eu considero muito importante que o veterinário, mesmo o nutricionista, não se esqueça da parte de clínica.”

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Um deles é   o CBNA, tem todo ano... na parte de alimentação de cães e gatos, nutrição de cães e gatos considero bastante interessante. Aqui, a UNESP de Jaboticabal sempre faz eventos sobre nutrição clínica ou de nutrição de cães e gatos, alternadamente, o que se torna

bastante interessante. Eventualmente algum outro evento que acontece em outros lugares, mas com menos freqüência, com menos regularidade.

 

Fora do Brasil, temos alguns eventos bastante relevantes, tem o Colégio Europeu que faz o ESVCN.

 

E além destes congressos de nutrição em si, eu considero muito importante que o veterinário, mesmo o nutricionista, não se esqueça da parte de clínica, principalmente se ele pretende trabalhar com nutrição clínica. Então participar de congressos relacionados a esse tema, mantendo sua atualização, é essencial.

 

Um congresso que acho fundamental para isso é o Congresso Norte-Americano de Medicina Interna, o ACVIM, a Associação. Nós não podemos nos desligar da parte clínica porque ela é totalmente interligada com a nutrição clínica.


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nutrição.Vet: Fazer pós-graduação no Brasil ou no exterior? Um aluno que fique anos no exterior será ‘esquecido’ e sem contatos no Brasil ou voltará mais valorizado?

 

 

Dra. Luciana:

 

Eu vejo que, hoje em dia, fora daqui, como existem escolas com trabalho mais forte em nutrição, as pessoas que vão para estas universidades acabam tendo um nome de maneira mais fácil, sendo reconhecidas às vezes mais facilmente. Mas nem sempre estas pessoas têm tanto conhecimento porque às vezes é tudo muito mais fácil, porque está tudo preparado...

 

Então o que eu vejo é que, no Brasil, a gente tem uma série de dificuldades, a gente tem que lutar muito mais para conseguir as coisas. E por termos de batalhar, estudar, e conhecer tudo, desde como escolher, como fazer o alimento, até coletar material, processar, depois estatística, depois escrever. Então este conhecimento completo de tudo que acontece em uma tesenós conseguimos mais aqui no Brasil.

A questão do reconhecimento, eu acho que é muito mais um trabalho de cada um do que a faculdade diretamente.

 

Acho que a faculdade ajuda muito, mas a pessoa tem que ser um bom profissional, tem que mostrar o trabalho, tem que mostrar que desempenha um bom papel, senão uma boa faculdade não resolve.


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"... Então este conhecimento completo de tudo que acontece em uma tese, (...) nós conseguimos mais aqui no Brasil.”

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nutrição.Vet: Fazendo uma comparação, como está a qualidade do que se produz em pesquisa em nutrição pet no Brasil e no exterior?

 

Dra. Luciana:

 

Eu fiquei 4 meses na Alemanha e eu vejo que às vezes a gente acha que o Brasil, por ser um país em desenvolvimento,  está muito longe do que o que acontece lá fora.

 

Talvez , dependendo da área, a gente não tenha tanto conhecimento, principalmente com relação à nutrigenômica, mas em relação a outras, dentro da nutrição mesmo,
acho que o nosso know how é tão bom quanto o de outras faculdades [do exterior],...
não perdemos em nada.

 

A questão seja talvez o reconhecimento dos países de primeiro mundo, de que existem pólos fora do primeiro mundo

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"... acho que
o nosso know how
é tão bom quanto o de outras
faculdades.”

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que são potenciais. Acho que é um trabalho árduo, mas que vem melhorando muito:  já existem trabalhos nacionais que estão sendo reconhecidos internacionalmente e isso é um grande passo para os pesquisadores brasileiros desta área.

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