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Prazer em conhecê-la
Fui convidada, juntamente com um grupo de pouco mais de 40 veterinários brasileiros, a visitar a fábrica da Hill’s nos Estados Unidos em agosto deste ano. Em nome da transparência, é preciso deixar claro que a empresa pagou todas as nossas despesas e acrescento que ela é patrocinadora do site nutrição.VET, que eu dirijo.
Um dos questionamentos que logo me fiz foi se compensaria realmente para uma empresa um investimento tão alto com passagens e hospedagem de um grupo assim grande, além do tempo e energia dos funcionários empregados para organizar e executar tudo. Afinal, todos já sabemos que a empresa tem alta qualidade. O que poderia mudar em nós esta visita?  

A viagem na verdade começa muito antes. Compromissos são remanejados, providências sobre quem cuidará de nossos filhos, de nossos animais – tenho quase que um zoológico em casa. Necessário fazer algumas compras, conversar na escola das crianças, os parentes e amigos começam a fazer encomendas. O passaporte não está vencido? E o visto? Vamos assim entrando no clima, nos pegamos tentando antecipar como será a experiência. Mas, há também um pouco a idéia de que vamos ter umas curtas mas bem-vindas férias.

Tudo pronto e chega finalmente o grande dia. É gostoso encontrar um conhecido, depois outro, rever alguns colegas de faculdade que não víamos há um número inconfessável de anos. Ouvimos vários sotaques diferentes e constatamos que, sim, o grupo tem gente de vários ‘Brasis’. Logo estamos fazendo brincadeiras uns com os outros, as piadas saem espontaneamente. O fato de ser um compromisso profissional, mas no qual não vamos dar palestra ou apresentar relatórios de projetos, deixa tudo mais leve. E quando vamos passando pelas poltronas dentro do ônibus que nos conduzirá ao aeroporto, é inevitável o clima animado de excursão de quando todos ainda cursávamos a graduação em veterinária.

A programação começou e logo eu percebi que várias suposições minhas estavam erradas. O cronograma diário era muito puxado, nada parecido com férias. Os almoços eram às 12:15h, mas às 13:15h já tínhamos de estar dentro do ônibus novamente. Muitas de nós éramos vistas nas palestras com os cabelos molhados pois não havia tempo nem de secá-los. Dormíamos muito tarde e acordávamos muito cedo todos os dias.

As palestras não eram apenas sobre os produtos da empresa e suas vantagens, com eu esperava. Aliás, pensando bem, não houve palestras assim. Acho que me lembro da menção de menos de cinco produtos, todos em meio à abordagem a outros tópicos.

Ouvimos palestras sobre a importância da nutrição na prática clínica, interpretação de rótulo, legislação, conceitos em nutrição e em marketing e os tipos de pesquisa que a empresa tem realizado. Visitamos o centro de pesquisa Hill’s Pet Nutrition Center que tem perto de 500  cães e 500  gatos alojados como que em quartos mobilhados e que são tratados por  funcionários que conhecem cada bichinho pelo nome. Mínimos detalhes de qualidade e conforto estavam todos alí. Os animais têm chips de identificação que são reconhecidos por dispositivos automáticos. Quando o gato, por exemplo, busca comida no alimentador, a máquina entrega a quantidade exata de alimento calculada para aquele indivíduo. Quando se aposentam, a maioria é adotada pelos seus próprios tratadores.

Duas palestras me surpreenderam especialmente. Uma foi a ‘não-palestra’de Don Buchner, Vice Presidente e diretor da área de desenvolvimento do cliente na Hill’s international and global. Ele não trouxe nenhum conteúdo programado. Simplesmente se colocou alí à disposição para responder a nossas perguntas, quaisquer que fossem, em uma abertura além do que eu poderia ter antecipado. Uma delas foi bem direta:  “Por que nós estamos aqui? O que vocês esperam de nós?”. A resposta – também direta – foi algo como: “Queríamos que vocês nos conhecessem realmente, que vissem com seus próprios olhos”. A outra palestra foi sobre a história do início da Mark Morris Foundation. Todo aquele complexo de pessoas, pesquisas, equipamentos e distribuidores internacionais tinha tido início com o trabalho de um homem ‘comum’ atendendo à necessidade de um cão-guia. Pode parecer clichê, mas é inspirador sim conhecer uma tragetória de sucesso imenso e real protagonizada por pessoas de carne e osso. (Quem quiser saber mais:   http://www.morrisanimalfoundation.org/about-maf/history.html).

A cada dia crescia a intimidade do grupo, os apelidos, as gargalhadas, o compartilhamento de histórias engraçadas e casos clínicos bizarros enquanto corríamos para o próximo compromisso. Também nos consultávamos mutuamente sobre os conteúdos abordados e detalhes observados.

A visita à fábrica propriamente dita finalmente chegou. O prédio grandão, a larga história de existência e de eficiência da empresa e o fato de ser aquele local o grande produtor mundial de itens que depois são espalhados por todo o mundo dão a inevitável sensação de estarmos entrando na ‘Incrível Fábrica de Chocolates de Willy Wonka’, na primeira versão do filme - claro. Ansiedade e sensação de privilégio: tenho meu ‘cupom dourado’, e vou entrar!

Colocamos equipamentos de segurança, ouvimos instruções e começamos a visitar as salas. Vários setores, máquinas imensas que ocupam vários andares que podemos enxergar todos de uma só vez. Tudo parece muito limpo e em atividade. Passamos por diversos setores, laboratórios, equipamentos. Em determinada sala um rapaz monitora cinco telas grandes de computador com as leituras sobre a produção em andamento enquanto aperta alguns botões.

Hora de entramos no imenso local de finalização, onde são visíveis os pacotes de alimentos terminados caminhando por esteiras. Pergunto quantos funcionários trabalham alí – pois não se vê quase nenhum – e a surpreendente resposta é a de que somente 24 pessoas estão diretamente envolvidas na produção daquele colosso industrial! Faz sentido, já que em se tratando de material biológico, menos gente significa também menor possibilidade de contaminação em geral.

Na maioria das salas chama a atenção certo local na parede.  Lá está um desfibrilador cardíaco para socorro imediato em caso de necessidade. Mas a mim o que mais impressiona é que ao lado há um livro muito grosso, mantido em suporte de acrílico transparente colado à parede, à altura do peito. Trata-se do conjunto de procedimentos de segurança que deve ser seguido em tudo que ocorre na fábrica. Ele está alí, à mão, à disposição dos funcionários em várias salas. A qualquer momento, em qualquer caso de dúvida, pode ser checado. Não está perdido no fundo de alguma gaveta. Literalmente basta esticar o braço para segurá-lo. Aquilo me disse bastante.

Medito que é preciso ter muita confiança em seu trabalho para abrir assim a casa para um grupo grande, tecnicamente capacitado e ao mesmo tempo com especialidades diversas. Um grupo que está alí só para olhar, conferir, avaliar, constatar. Será que uma empresa poderia fazer uma super faxina e organizar tudo somente para receber uma visita assim? Tudo bem, podemos pensar que sim. Mas o fato é que visitas como a do nosso grupo são frequentes: quase todas as semanas de quase todos os meses. São a regra e não a exceção. É uma ‘auditoria externa’ e tanto.

A constatação que se tem é a de que é obrigatório que neste sistema haja uma organização, um gerenciamento muito bem feito, para que todos os setores se comuniquem, entreguem seus resultados e recebam insumos uns dos outros de forma harmônica e gerando um produto final que seja não só de alta qualidade, mas também competitivo economicamente. E sem deixar de inovar sempre.

Tanto cuidado com possíveis contaminações dos ingredientes, cuidados com formulação de dietas, investimento em pesquisa, testes com embalagens... Acho que todos temos este pensamento às vezes: tanta energia e talento colocados naqueles pacotes! Como seria bom se nós como humanidade conseguíssemos tratar dos grandes problemas do mundo - fome, miséria, guerra, intolerância - com a mesma eficiência que vi ali.

E afinal, sobre o investimento da empresa em nos levar nesta visita, tenho de admitir: eu sabia sobre a Hill’s antes. Agora, entretanto, posso dizer que eu e a Hill’s somos amigas e que nos conhecemos em uma viagem que fizemos juntas.

Cristiana Prada
Médica veterinária, Ms
Diretora do website nutrição.VET
Set/2013

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