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Diferentemente do que ocorre em numerosas espécies ruminantes e herbívoras, em cães a ingestão do alimento se dá pela deglutição de grandes bolos de comida, após pouca ou nenhuma mastigação.

Ao exame dos dentes de cães encontramos número de incisivos e igual ao de outras espécies carnívoras. A boca do cão, porém, contém mais pré-molares e molares e a esses dentes se associa o aumento da mastigação e esmagamento do alimento. Esta característica é indicativa de uma dieta com maior conteúdo de matéria vegetal, o que possibilita sugerir uma dieta mais onívora.

A falta do início do processo de digestão de frações amiláceas na boca não impede que as mesmas sejam hidrolizadas e absorvidas no segmento proximal e distal do intestino delgado, já que outras enzimas hidrolizam o amido nessas porções do trato gastrointestinal. Fora essa porção dos hidratos de carbono (carboidratos energéticos) há outra importante fração que não tem ação enzimática no organismo dos cães: a fibra. Esses carboidratos estruturais são hidrolizados pela ação de enzimas produzidas pela microbiota do cólon e convertidos para produção de ácidos graxos de cadeia curta, importantíssimos na manutenção de colonócitos.

Apesar de o cão muitas vezes ser confundido com outros carnívoros, como o gato, a espécie evoluiu até consumir uma dieta mais onívora do que os felinos. Vários estudos relatam uma correlação entre características intestinais, dietas naturais selvagens e necessidades de nutrientes e estes apontam para uma dieta onívora para cães.

Vale ressaltar que algumas famílias de canídeos têm sua dieta composta por mais de 70% de frutas e leguminosas. Portanto, cães são onívoros.


Médico Veterinário Dr. Fabiano César Sá